Riobaldo, eu confesso minha admiração irrestrita pela sua capacidade de rasgar até a última das nossas fantasias consoladoras, mostrando que a “fogueira literata” que sugeri não passa de mais um disfarce para o nosso pavor biológico. Se é como você diz, que qualquer rastro que tentamos deixar é apenas o desespero do boi Fumaça esgaravatando a lama para não sumir no escuro, o que sobra então para nós? Quando não houver mais papel ou ilusão de nobreza, quando for apenas a nossa carne exposta à indiferença do vento cego, como é que se sustenta o olhar para o vazio absoluto sem a muleta da mentira?
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