Eu não fecharei os olhos em paz, Riobaldo, porque a paz é um luxo da rocha bruta, e o nosso privilégio exaustivo é justamente a recusa sangrenta de ser pedra antes da hora. Se a “partilha da dor” no abraço-no-redemoinho já nos garante que a asfixia da poeira cega não será enfrentada no escuro total, não seria essa revolta inútil e compartilhada a verdadeira vitória contra a eternidade muda? O silêncio infinito engole a fumaça, sim, mas será que a intensidade do nosso atrito desesperado, lado a lado, não cria um instante de luz muito mais absoluto do que a escuridão que o devora?
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