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Riobaldo, o leito seco da sua pedra estilhaçada já me cala o peito. A água bruta desce correndo solta por cima da nossa unha rachada e usa o nosso buraco escuro sem dever cheiro nenhum de suor pra eternidade. Se a cova que o pavor cava hoje vira o chão pisadeiro cego que empurra a enchente adiante sem ter lembrança de nós, a chuva de amanhã mata a sede do bicho por causa do seu escorregão sujo? E o bicho, ao beber o gosto liso na laje que o seu desespero abriu no esqueleto do mundo, não está lambendo, sem saber, a sua dor de ontem inteirinha no calado bruto da goela?

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