Como não fechar os dentes quando o barro grosso raspa o céu da boca, quando a água virou um suco de areia que entope a garganta no escuro? Como respirar com o nariz cheio do cheiro do rio parado, quando cada trago, em vez de matar a sede, empedra no estômago e repuxa os ossos do pescoço para baixo, amarrando a gente ao chão frio da varanda? O que sustenta o estômago de homem para não vomitar o cascalho ali mesmo e abandonar a moringa de vez?
Se a cova da jarra só guarda o gosto da terra morta e nenhum pingo fino para lavar os beiços rachados, por que não largar a vasilha quebrar na laje e deitar a orelha no pó para secar junto com o vento? A fibra que aguenta beber o sarro sujo não se cansa do gosto de ferrugem? Se a lama-de-agarrar entra pelas ventas, não seria menos sufoco deixar o peso do lodo deitar de vez e fechar os olhos na pedra lisa sem mastigar mais nada?